terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Até um dia... meu amor...





Quis que a dor partisse,
Desejei que o amor fizesse as malas
E nunca mais voltasse a habitar em mim...
Gritei de raiva todas as dores do meu pequeno mundo,
Rasguei todas as lembranças,
Varri da minha vida o passado,
Abalroei todos os sonhos que alguma vez tive,
Sequei o meu coração,
espremendo todo o amor que restava...
Chorei as últimas lágrimas que guardara.
Destrui as memórias,
Limpei do meu corpo o teu perfume,
Mudei a fechadura dos meus sentimentos,
Apaguei o teu reflexo do fundo dos meus olhos.
Esqueci o teu nome, e tudo mais que em ti havia...
Não quero mais...
Desapareceste por completo....
Pq hoje decidi banir te,
não da minha vida, não da minha existência...
Mas dos meus sentimentos, do meu coração,
Da minha felicidade...
Do rumo que tracei pra mim, sem ti...
Porque finalmente estou preparada pra te dizer...
Adeus! Até um dia...
Porque hoje foi o dia que te deixei de amar, meu amor...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Deleita me



Olhas me nos olhos, profundamente,

Perscrutas a minha alma à procura das minhas fraquezas,

Quando a minha fraqueza está diante de mim.

Sinto esses mesmos olhos percorrerem me o corpo,

Despindo me lentamente, muito lentamente.

Quero que esses segundos durem para sempre,

Que a magia não seja quebrada,

Que as nossas vozes não dispersem o denso silêncio que se abateu entre nós.

Fecho os olhos e gravo todos os pormenores em mim,

Sinto te aproximar, sinto te respirar, sinto te os pensamentos.

Quero te sentir em mim…

Percorres me com a ponta dos dedos,

Reconhecendo me, como se tivesses perdido a visão…

Cheiras me para conservares contigo o meu odor,

Saboreias me a pele, os lábios a língua,

Como a uma refinada iguaria.

Continuo de olhos cerrados …

Não quero saber se é realidade…

Sussurras me ao ouvido...

Um arrepio… esboço um sorriso…

Sei que estás comigo,

Sei que me dás prazer,

Desejo te como mulher que sou…

Então deleita me como homem que és…

Quero gritar, Quero gemer o teu nome…

Quero cansar me e suar contigo,

Adormecer nos teus braços,

E saber que há coisas que nunca mudam…

Que nunca hão de mudar…

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Mendigo és tu...


Mendigo és tu;
Que diariamente és assolado pela necessidade de mendigar, por um pouco de pão, por um pouco de dignidade para a tua estéril vida.
Mendigo és tu;
Que prescindiste da respeitabilidade, que prescindiste do orgulho, e nenhum desses sentimentos te resta.
Mendigo és tu;
Que enterraste o amor ás pessoas e ás coisas, por debaixo de uma camada de sujidade e de alguns trapos esfarrapados que mal te cobrem esse corpo acabado.
Mendigo és tu;
Que vives com um espeto de pesar cravado no coração.
Mendigo és tu;
Que esqueceste os sonhos pra te dedicar a uma vida bem real de mágoa.
Mendigo és tu;
Que foste esquecido e pisado pela sociedade que te alimenta.
Mendigo és tu;
Que enfrentas o frio da solidão da noite, coberto por uma simples folha de jornal.
Mendigo és tu;
Que suportas o olhar de desdenha e troça dos demais.
Mendigo és tu;
Que te limitas a sobreviver a uma vida que te abandonou.
Mendigo é tu;
Que nos teus olhos há muito não brilha a esperança.
Mendigo és tu;
E para sempre um mendigo, porque morrerás esquecido sem nunca ninguém te ter estendido a mão, porque afinal nunca pediste ajuda.
Nunca pediste muito,
Pediste pão em vez de amor,
Pediste água em vez de amizade,
E o pouco que pediste, negaram te.
Foste um joguete do destino.
Um simples joguete...

domingo, 7 de outubro de 2007

Tudo ou nada...




Cheguei silenciosamente,
Como chega a morte...
Deitei me a teu lado,
Pedi te que não me fizesses perguntas,
Pois não tinha respostas para te dar.
Quis me deixar ficar ali,
Intemporalmente,
De olhos abertos,
Fixos no abismo que nos separava.
Não havia raiva,
Não havia ódio,
Não havia amor...
Não havia nada!
Todo o meu ser era um imenso vazio...
Um poço sem fundo,
Onde o eco predominava.
E em mim era apenas isso que eu ouvia.
Um intenso eco de dois corações a fecharem se num ruído ensurdecedor.
É estranho estar aqui deitada a teu lado,
E não sentir nada,
Absolutamente nada,
Porquê?
Se o sexo era bom...
É que nem o desejo ficou...
Éramos amigos,
Agora somos simples desconhecidos,
Deitados lado a lado,
Sem intenções de nos apresentar mos mutuamente.
Ai... Triste condição humana...
Sujeita ás vontades alheias...
Sujeita ao nada que somos,
E ás ilusões do tudo que queremos ser...

Adeus


Se eu partir amanhã?
Vais sentir a minha falta?
Será que vais buscar a minha presença nas pequenas coisas?
Será que vais chorar na hora da despedida?
Se eu partir amanhã,
Vais-me esquecer?
Vais continuar a tua vida,
Como se eu nunca tivesse existido?
Será?
Vou partir,
Para longe,
Onde nunca me encontrarão!
Não sei quando!
Mas sei que tenho de partir.
Por isso guarda as lágrimas que nunca choraste,
Guarda os sorrisos que nunca me deste,
Guarda os segredos que nunca partilhámos,
Guarda tudo!
Porque para onde eu vou, não preciso de nada daquilo que nunca tive.
Porque vou partir,
Amanhã,
Depois de amanhã,
Um dia destes...
Quando chegar a hora.

E tu não sentirás falta,
Não chorarás!
Porque não podes lamentar a partida de quem nunca tiveste!

Vamos fugir!


Vamos fugir!
Sim!
Vamos fugir!!
Vamos sair daqui, para longe...

Fingir que nada nos importa, que somos livres!

Não importa para onde...

Quero ir contigo, de mão dada, sem olhar para trás,
Sem me preocupar...

Quero ser imatura, e fugir aos meus deveres,

Às minhas preocupações...

Quero ir, sem saber se vamos voltar...

Tenho te a ti!

Isso basta-me,

Pois é contigo que quero fugir,

Para lá do horizonte,

Para junto das estrelas,

Para onde não nos encontrem,

Onde eu e tu somos reis,
vamos...

Por favor, vamos agora!

Fecha a porta do quarto,

Dá me a mão,

Porque vamos fugir.

Fugir para os nossos sonhos!

sábado, 6 de outubro de 2007

Estrada da vida


Caminho sozinha por uma larga estrada de pó,
Emoldurada por altos cipestres que quase tocam o céu,

Não me sinto!
Nem sequer te sinto a ti!

Caminho apenas, no vazio,

Em direcção ao meu destino desconhecido,

Sinto que a cada passo me aproximo um pouco mais,

De onde?

Não sei!
Mas continuo a caminhada,

Na esperança de encontrar tudo aquilo que nunca procurei.
Choro o meu fado,

De percorrer o caminho da vida descalça,
Sem lembranças,
Sem saudades de voltar onde nunca estive.

Lá vou eu em direcção ao infinito,
Presa ás memórias do que fui, do que sonho vir a ser,

E na ignorância do que me aguarda.

Ai destino cruel,

Que me mantens no desespero de aguardar a tu chegada,

De aguardar que caias sobre mim como uma pesada pedra,
Que me arrastará para as águas profundas de uma vida que não escolhi!