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Podia te chamar tanta coisa...Malandro!Míope!Sofredor!Cego!Podia te chamar pelo que és:Um coração de mulher!Um Ilusionista...Criador de falsas verdades...Sonhador de impossibilidades...Ai! Coração reguila....Que me levas a crerNaquilo que imaginas...Maldito coração insatisfeito,Porque não te calas??Só por um pouco,O suficiente para eu me ouvir pensar...Deixar me de ilusões e crescer...Deixar me de paixões e amar...Meu pequeno reguila,Discípulo de Platão.Deixa me sentir a pele...Deixa me ver...Deixa de lado a ilusão!
Hoje vou sair...Vou procurar me nas ruas...Vou encontrar me no tédio das coisas.Caminhar sem destino,até ter perdido o rumo...Vou contar o tempo nos ponteiros do relógio.Esperar que chegue pra me visitar,Quem já não posso esperar...Quem já não me visita!E afundar me na poltrona,Fumando cigarro atrás de cigarro,Sem expectativas,Sem vontades...Apatia, simples apatia...Preguiça de ser...Preguiça pensar...Vontade de aqui ficar...Hoje vou fazer tudo isto,Porque não me apetece fazer nada.
Puxei de uma cadeira,Acendi o meu vício...E sentei-me.Ali permaneci intemporal mente.Senti o meu pensamento a esvaziar,Senti a vida passar me ao lado...Senti o meu coração abrandar!E a esquecer tudo!Esqueci me de quem era,E quis ser uma árvore,Com raízes bem assentes no chãoE uma vida inteira pra crescer.Mas não uma árvore qualquer!Uma daquelas que dão flor...E as pessoas gostam de admirar,E quando as admiramEsquecem se de quem são!Uma árvore em que me pendurassemUma corda e um pneu velho...E crianças inocentes em mim se balouçassem...Onde os pássaros arrulham em dias de sol...E se abrigam nas intempéries...Quis ser daquelas árvores,Em que os enamorados,Escrevem juras de amor eterno,Sem pensar na sua efemeridade...Uma árvore...Uma simples árvore...Espectador espectral,De vidas inteiras...Quis ser como esta árvore!Que tudo vê...Que tudo sabe!Mas nada conta!
Por entre as areias brancas,De uma ilha perdida;Persistem os guardiões da luz,Que guiam os navios a bom porto.Que impedem as trevas e a escuridãoDe penetrar neste reino de magia.Uma ilha que se perde,Onde cada um de nós se encontra consigo próprio.Nesta ilha em que o Caos e a PazCaminham lado a lado,Sem nunca se cruzarem,A vida corre lentamente,No compasso de um relógio parado.Calmamente,Muito calmamente,Tudo vai passando,Dia após dia...Neste paraíso infernal...Em que o nada já é demasiado!

Sonhei-te!Esta noite sonhei-te!Tu pegaste me na mão,Pousaste me um beijo nos lábios,E levaste me para dançar,Sob a chuva que caía...Elevei me na ponta dos pés,Senti me por entre as estrelas...E dancei...Dancei, sem me preocupar...Dancei, sem saber dançar...Dancei até me cansar,Até não me apetecer mais...Até reparar que, não sabia dançar...E o sonho desvaneceu-se em mim...Acordei para a minha vida,Com um sorriso nos lábios.A chuva batia na janela,Levemente, chamando me...Um tímido convite...E apeteceu me dançar...Dançar loucamente sob a chuva...Até me cansar...
VAZIO... Vazio...E ainda mais vazio...É assim que está o meu coração...E era assim que gostava que a minha mente estivesse...Mas os pensamentos não param!E as palavras não fluem...Falta me a inspiração dos dias tristes...Falta-me o desejo dos amores platónicos...Falta-me a criança que mora em mim...Quero escrever sem pensar em mim...Quero escrever as vidas que não vivi,Mas que penso que vivi... Falar das lágrimas que não são minhas,Mas que choro ao escrevê las....E falar de quem sou ,Através daquilo que nunca fui...Porque não vejo o mundo só com os meus olhos!Mas também com os olhos de todos os que me olham...
Sem tempo para mim,Sem tempo para pensar,Sento me diante da janela do meu quarto,O sol põe se no infinito,Lá fora vejo a vida,Brincando por entre a folhagem douradaDe mãos dadas com o tempo,Rindo de mim!Quero alcança los,A janela está fechada,Pra sempre fechada!Não tenho forças!Deixei de ter forçasQuando ambos fugiram de mim.Mas vida é minha,E o tempo pertence me.Quero ambos só pra mim,Junto a mim...Os três juntos,Encontraremos novamente o rumo,E caminharemos calmamente,Na direcção do meu destino.