Estar diariamente na corda bamba,
Ter um pé no penhasco e outro no abismo,
Lidar com esta incerteza de sentimentos certos,
Ser quem não sou, por um capricho,
Uma vontade tua, e no fim?
Com o que fiquei?
Nada!!
Apenas com tentativas de compreensão
De algo que se tornara incompreensível,
A nossa relação,
O nosso amor desprezista e imaturo,
Que se deixou abalar,
Pela corrente de ar dos nossos corações vazios e frios.
Não era amor, Não era carinho,
Há muito que deixara de ser...
Era necessidade...
Nada mais que isso...
E talvez conformismo perante a rotina.
Não sei porque morreu tudo!
A fogueira de chamas altas, apagou-se!
Mas uma coisa é certa...
As chamas altas são mais fáceis de extinguir...
As brasas, permanecem intemporalmente acesas,
Com o perigo eminente de um reacendimento.
Hoje, já não sinto a tua falta,
Como senti naquela altura,
Já não sou a terra seca, implorando por chuva...
Sou a terra que aprendeu a viver com a aridez,
Que se conformou com o sol quente
E a falta de água consecutiva...
Comecei a acreditar na irreversibilidade das coisas reversíveis,
Para não me iludir, Para não me magoar mais...
Sei que não voltarás,
Mas isso deixa-me tranquila,
Por saber que a paixão efémera de outrora,
Jamais visitará o meu coração,
Para deixar as suas marcas dolorosas.
Assim digo-te adeus!
Na esperança que permaneças bem longe
Deste meu coração de palha...
Que ao mínimo de faísca se incendeia...
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